Adriano Plotzki, criador do #SAL no You Tube e responsável por encantar os apaixonados pela Vela Oceânica com seus vídeos cinematográficos pela costa brasileira, conta com exclusividade para a Comunicação do RGYC os projetos para 2022 além de comentar como a pandemia do novo coronavírus influenciou na sua vida e trabalho em alto mar.  Atualmente o #SAL possui 125 mil inscritos.

(RGYC ) Adriano quais são os teus projetos para 2022?

(Adriano) A ideia é nos primeiros dias de janeiro subir para Porto Alegre. Lá vou fazer algumas reformas preventivas no Balanço e depois disso seguir para o Uruguai. Ainda não sei se vou parar em La Paloma e Piriápolis, ou vou se direto até Colônia, mas o plano é parar em vários portos uruguaios.

Ainda em 2022, pretendo visitar Ilha Bela(SP), seguir para Arraial do Cabo(RJ) e também conhecer a Bahia, lugares que ainda não estive e que já tinha programado, mas devido a pandemia precisei adiar.

(RGYC) O #Sal contará com novos episódios em águas uruguaias?

(Adriano) O objetivo é fazer muitos episódios do #SAL no país vizinho, só não sei se vou conseguir devido a questão sanitária. Outro fator que pesa é o valor para atracar. Mas a meta é fazer um episódio a cada parada.

(RGYC) Como enxergas esse novo ciclo do #Sal com a nova companheira?

(Adriano) É um período de reconstrução. Vir para perto da família, de onde surgi e ter a sorte de encontrar alguém tão incrível como a Ana Lívia, faz com que eu me sinta muito mais forte para seguir em frente. Eu precisava desse momento e tem sido mais do que eu esperei esse retorno ao Rio Grande do Sul.

(RGYC ) Como foi a pandemia para o #SAL?

(Adriano) A pandemia abriu a possibilidade de realizar entrevistas online com pessoas que teríamos dificuldade de realizar devido suas localizações geográficas. Além disso, muitos episódios foram feitos nessa época, por exemplo, o #SAL #115 e #140 que abordam assuntos referentes a pesquisa de preços de veleiros e os custos da vida a bordo. A pandemia me tirou da zona de conforto para abordar esses temas. Também destaco que o #SAL cresceu bastante encontrando um novo propósito dentro da Vela Brasileira, me forçando a fazer coisas novas nesse período.

(RGYC) Para os velejadores, como avalias esse período pandêmico?

(Adriano) Várias realidades se apresentaram nesse período. Em Paraty (RJ), por exemplo, as restrições foram bem rígidas e em um primeiro momento as autoridades não entendiam que tinha gente morando a bordo e devido a isso pediam para as pessoas sair de seus veleiros e irem para residências em terra. Isso provocou desconforto. Mas depois fizeram uma lista com todos que moravam em seus barcos e a questão normalizou. Outra situação de dificuldade foi para aqueles que fazem charter e moram a bordo que tiveram uma perda de renda importante.  Foi uma fase bastante difícil, mas acredito que as pessoas começaram a buscar formas para se organizar e enfrentar o momento.

(RGYC) Como tem sido a vida no Balanço nesses quase quatro anos? Teve alguma situação delicada que gostarias de relatar?

(Adriano) Situação delicada acho que não. Tenho muito orgulho e sei que isso tem sorte no meio também além do cuidado do dono anterior. Nesse período que moro a bordo nunca precisei ser resgatado e sempre consegui consertar as minhas coisas. Inclusive na travessia de Angra dos Reis a Rio Grande não quebrou nada. Mesmo quando estávamos chegando com rajadas de 50 nós e entrando água no barco, não encarei como uma situação complicada ou perigosa. Senti medo na entrada e saída de Cananéia (SP) pois havia risco real de perder o barco. O risco era devido à falta de conhecimento da Barra pois além de mudar de lugar possui um calado muito restrito.

(RGYC) O Balanço corresponde as tuas expectativas nesses anos com ele? E durante tuas viagens?

(Adriano) Tive muita sorte com o Balanço, pois o veleiro teve donos muito cuidadosos. Inclusive ele foi me entregue com velas novas, estaiamento novo, parafuso da quilha que tinha sido trocado a pouco e estruturalmente ele estava muito bom. Tive problema com o motor pois para o propósito anterior ele atendia, mas morando a bordo e subindo direto acho que o motor foi muito exigido e não aguentou, por se tratar de um equipamento mais antigo. Agora o veleiro está com motor zero e na vinda o piloto automático tocou e não errou uma onda e isso dá muita segurança. Eu gosto muito do Balanço.

(RGYC)A Vela foi uma paixão que veio mais tarde na tua vida. Na tua visão de velejador, qual a relevância da Escola de Vela para os velejadores do RGYC que estão ingressando na vida náutica?

(Adriano) Infelizmente não comecei a velejar quando era criança pois residia no interior em um lugar que seria mais fácil eu andar a cavalo. Mas fiz outros esportes como o tênis e handebol.  Já quanto a turma de velejadores da Escola, independente seguirem ou não no esporte, a Vela é fundamental para a educação pois oferece um aprendizado que desperta a autonomia e autoconfiança. É difícil um outro esporte que crianças com 10 anos tenham um veículo nas mãos e que esse proporciona independência e confiança. A Escola também faz com seus alunos  desenvolvam uma cultura náutica para a vida e sempre enxergarem no mar um caminho e nunca uma barreira.

(RGYC) Qual recado que deixarias os velejadores da Escola?

(Adriano) Alimentem esse sonho porque o mar oferece muitas coisas e hoje está oferecendo para vocês uma oportunidade de brincar, de ter autonomia com um veículo nas mãos além de proporcionar a integração com os amigos. Testar as habilidades e competir dentro das regras sabendo ter integridade com essas, mesmo quando os outros não veem o que acontece é fundamental. Na Alemanha, por exemplo, uma das partes cruciais da educação é focada nessa questão de aprender a cooperar, competir dentro de regras que te ajudam a ser um ser humano integro, e a Vela é uma ferramenta para aprender tudo isso.

O Balanço está ancorado no trapiche do RGYC desde o último dia 15. Adriano e Ana Lívia participaram do evento de encerramento das atividades da Escola de Vela e seguiram para Bagé. O casal retorna nos primeiros dias de janeiro para seguir com o veleiro para a capital.