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Polo Naval gera oportunidades para profissionais formados em Rio Grande - 08/03/2010

 

As obras de construção de empreendimentos do Polo Naval em Rio Grande, além de gerar empregos para trabalhadores da construção civil e da área metal mecânica, de níveis básico e médio, também abriu oportunidades para profissionais das Engenharias, em formação ou formados pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg). Mais do que isso, possibilitou a permanência de pessoas formadas no ensino superior na cidade e o retorno de algumas ao Município.

A construção da plataforma P-53, concluída no segundo semestre de 2008, e da P-55, em andamento, por exemplo, abriu espaço para vários deles. Alguns antes foram treinados pela Quip S.A em sua filial no Rio de Janeiro e outros começaram direto nas obras em Rio Grande. A reportagem do Agora ouviu alguns dos que hoje estão atuando na P-55 e constatou a importância, para eles, destas novas oportunidades. Eles contam que começaram seus cursos sem expectativa de conseguir vaga no Município. Alguns até já planejavam ir para outros lugares em busca de colocação. E todos destacam a satisfação com a oportunidade, que não é só de trabalho, mas também de crescimento.

A rio-grandina Aline Barros, 26 anos, formou-se em 2008 em Engenharia Mecânica Empresarial na Furg. Atua no setor de Planejamento da P-55, trabalhando com elétrica e instrumentação, mas começou na P-53. Ela relata que, ao iniciar o curso, não esperava ficar em Rio Grande, porque não havia serviço em sua área aqui. "Era difícil ter uma oportunidade", aponta. Em 2006, no início da P-53, foi convidada para fazer estágio na Quip, onde trabalhou até o final da plataforma 53, já na área de elétrica e instrumentação, por ter mais familiaridade com este campo devido a ter feito curso técnico no CTI.

Após a conclusão P-53, já formada, Aline foi recontratada para integrar a equipe da P-55. “Hoje visualizo a oportunidade de continuar trabalhando em Rio Grande, tenho mais esperança neste sentido, pelo menos por oito ou 10 anos, o que há três anos não tinha”, observa. Além disso, salienta que a construção de plataforma é uma área em que a cada dia aprende mais. “Sempre tem algo novo. Envolve muita tecnologia, além de ser um projeto muito grande, que tem diversas áreas para se estudar, conhecer. Tudo evolui muito rápido. Da P-53 para a P-55 já vejo diferenças ou coisas que não cheguei a conhecer na primeira e estou vendo agora. É um trabalho que motiva”, conta Aline.

Formado em Engenharia Civil pela Furg em 2009, Ismael Miranda, 25 anos, é de Erechim, mas gosta do Rio Grande e queria permanecer na cidade. Durante a faculdade, procurou se qualificar ao máximo. Antes de se formar, fez estágio de dois anos na Wtorre (responsável pela construção do dique seco). Terminado este estágio, ficou procurando uma chance em alguma obra no porto. No final de 2008, estava terminando o projeto de graduação e surgiu uma vaga na Quip. “Fui selecionado e a Quip me deu a oportunidade de conseguir terminar o projeto de graduação trabalhando. Queria aprender mais e o aprendizado que já adquiri superou minha expectativa”, afirma. Ele ingressou na Quip em abril do ano passado.

Conforme Ismael, a formação de engenheiro civil é mais voltada para obras de concreto, sendo que da parte de metálica é visto pouco e, na P-55, ele aprendeu muito desta área e continua aprendendo. “Cada dia é um aprendizado novo”, revela. Na obra da plataforma, ele atua na área de Construção e Montagem, mais especificamente no serviço referente à montagem de estruturas metálicas. Ele diz que foi contratado para trabalhar na integração do convés e módulos da P-55, porém, a obra ainda não chegou a este estágio. Na função em que está, “ajuda a não parar a obra”.

O rio-grandino Lessander Schmitt, 26 anos, se formou em Engenharia Mecânica Empresarial pela Furg em 2008. Estudou com a intenção de exercer sua profissão em Rio Grande pelo menos nos primeiros anos de formado, desejo que até 2007 considerava difícil de ver concretizado. “Não tinha esperança nem de realizar estágio aqui porque não havia oportunidades no mercado. Na época, só existia uma promessa de que estaleiros se instalariam aqui e o dique seco poderia ser construído. Eu já tinha entrado em contato com colegas em Santa Catarina para acertar uma vaga de estágio. Com a instalação da Quip no Porto Novo, consegui a vaga aqui”, lembra Lessander. Ele participou de uma seleção para estágio na obra da P-53 e ingressou em 2007. No final de 2008, formou-se e aguardou a P-55, projeto para o qual foi chamado em julho de 2009. Atualmente, Lessander trabalha na área de planejamento e controle. Explica que o planejamento vê à frente a obra, ou seja, "dita o rumo da obra".

 

A ausência de expectativa de mercado para os formandos do curso de Engenharia Mecânica, tanto tradicional quanto Empresarial, em Rio Grande, também fazia com que o rio-grandino Angelo Cesário, 26 anos, acreditasse que teria que deixar o Município quando se formasse. "A coincidência entre o período de conclusão da graduação e a consolidação do Polo Naval fez com que essa tendência fosse revertida", observa. Angelo Cesário entrou para a Quip em março de 2007, como estagiário. Se formou no mesmo ano e foi efetivado.

 

Depois de concluída a etapa de montagem da primeira plataforma construída em solo rio-grandino, Cesário permaneceu na empresa e esteve embarcado na P-53 para atuar no início da operação da plataforma, onde adquiriu ainda mais experiência. A bordo da P-53, atuou no setor de planejamento e controle de todas as atividades que ainda eram de responsabilidade da Quip. No projeto da P-55, também trabalha no Planejamento e Controle, mas na subárea de Estruturas Metálicas e Equipamentos, da qual hoje é líder. “É uma grande oportunidade de crescimento técnico e profissional que a empresa está me dando”, frisa Angelo Cesário.

 

Eles destacam a importância da disposição da empresa em apostar neles, considerando que existem profissionais prontos no mercado. O diretor de suporte corporativo à gestão da Quip, Marcos Reis, diz que contratar e treinar esse pessoal é garantir a continuidade da empresa no futuro. “É fundamental ter essa mão-de-obra neste nível, treinada e domiciliada em Rio Grande. A empresa que vier para o Polo Naval e não fizer isso, não vai ficar no mercado. É preciso mão-de-obra qualificada”, destaca Reis.


Carmem Ziebell-Jornal Agora 08.03.10

 

 

 
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